top of page


Quem é você quando já não precisam de você? A utilidade como identidade e a armadilha do falso self
Moisés Matos · psicanalista e escritor Um vídeo curto circula pelas redes com uma pergunta que não deveria caber em quarenta segundos: “quem é você quando já não precisam mais de você?” O formato é o de sempre — rosto em close, microfone, legenda pulsando palavra a palavra. O conteúdo, porém, toca num ponto que reconheço todos os dias no consultório, sobretudo em quem lidera: a suspeita de que a própria existência precisa ser merecida pela utilidade. Transcrevo abaixo a fala,
há 2 dias5 min de leitura


Rubião e a ferida do útil: Uma leitura psicanalítica de Quincas Borba
Moisés Matos · psicanalista e escritor "Existe uma das experiências mais humilhantes da vida. Descobrir que alguém só fazia questão da sua presença enquanto você tinha alguma coisa para oferecer." Do carrossel @moisesmatos.psicanalise Rubião não era um tolo. Era um homem com fome de ser amado — e essa fome, quando não encontra alimento verdadeiro, aceita qualquer coisa que se pareça com ele. Aceita admiração que é interesse. Aceita amizade que é estratégia. Aceita pertencim
há 2 dias6 min de leitura


Viciado no próprio mal-estar O gozo do sofrimento, o ganho secundário e a coragem de mudar
Há um tipo de sofrimento que reclama de si mesmo em voz alta, mas que, no silêncio, não quer ir embora. Um vídeo curto que circula pelas redes formula isso com uma crueldade útil: a de que muita gente se tornou viciada no próprio mal-estar. A frase incomoda porque é verdadeira — e porque toca numa das descobertas mais antigas e mais resistidas da psicanálise: a de que o sintoma, longe de ser só um estorvo, presta serviços. Transcrevo abaixo a fala, em português, e a uso como
há 2 dias5 min de leitura


O Morto que Fala Memórias Póstumas de Brás Cubas e o inconsciente que Freud ainda não tinha nomeado
I. Um narrador impossível Há algo profundamente estranho na primeira linha das Memórias Póstumas de Brás Cubas: um homem morto que escreve. Machado de Assis publica o romance em 1881 — onze anos antes de Freud e Breuer apresentarem seus primeiros estudos sobre a histeria. E, no entanto, o que Brás Cubas inaugura como posição narrativa é precisamente aquilo que a psicanálise levaria décadas para articular: existe um ponto de fala que está além da consciência, que não está vivo
há 2 dias5 min de leitura


A arte como espaço de simbolização: contribuições da psicanálise para compreender seu papel na saúde mental
Muito antes de existir uma disciplina que reivindicasse o estudo metódico da alma, os seres humanos já davam contorno ao que os afligia por meio da tragédia, da epopeia, da música e da pintura. A psicologia como ciência tem pouco mais de um século e meio; as mãos em negativo sopradas sobre a rocha de El Castillo e as feras de Chauvet precedem-na em dezenas de milhares de anos. Entre um marco e outro estende-se quase toda a experiência humana de sofrer e de significar o sofrim
há 2 dias19 min de leitura


Psicanálise e a crise da meia-idade
Existe uma curiosa regularidade observada por pesquisadores de diferentes países: quando perguntadas sobre sua satisfação com a vida, as pessoas tendem a seguir uma trajetória em forma de U. Na juventude, os índices de bem-estar costumam ser elevados. Ao longo da vida adulta, essa satisfação diminui gradualmente, atingindo seu ponto mais baixo por volta da meia-idade. Depois disso, surpreendentemente, volta a subir. O fenômeno foi identificado em pesquisas realizadas com milh
15 de jun.2 min de leitura


O peso da liberdade: o que Sartre pode nos ensinar sobre as escolhas que evitamos
Muitas pessoas procuram explicações para os impasses que atravessam. Eye-level view of a neatly organized workspace with a planner and stationery A empresa não é mais a mesma. O mercado mudou. Os filhos cresceram. O casamento se transformou. A carreira perdeu o brilho. O país atravessa uma crise. Em muitos casos, tudo isso é verdade. Mas existe uma pergunta mais desconfortável: e se parte do problema não estiver apenas nas circunstâncias, mas também na liberdade que temos dia
15 de jun.2 min de leitura


O desespero de ser quem não somos: uma reflexão a partir de Kierkegaard
Quando ouvimos a palavra desespero, costumamos imaginar sofrimento intenso, tristeza profunda ou algum tipo de crise visível. Mas Søren Kierkegaard propôs uma ideia diferente. Para ele, o desespero nem sempre é algo que percebemos. Muitas vezes, ele se instala silenciosamente na vida cotidiana, escondido sob a aparência de normalidade. Uma pessoa pode ser bem-sucedida, admirada, produtiva e, ainda assim, viver em desespero. Como isso seria possível? Porque, segundo Kierkegaar
15 de jun.2 min de leitura
bottom of page